Por Caroline Liebl.

Tas em sua fase atualMarcelo Tristão Athayde de Souza, o nosso Marcelo Tas.

Aos 50 anos,  apresenta uma longa ficha de profissões: escritor, jornalista,  roteirista, diretor, apresentador, repórter…  Através de seu antigo personagem, o impagável Ernesto Varela, deixou dezenas de políticos desconcertados (semelhante ao que ocorre nas reportagens do CQC, misto de humor e política), em especial o deputado Maluf, ao questioná-lo:

“Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?Como Ernesto Varela e o inseparável óculos de aro vermelho

Passou por diversas emissoras, e está presente em nossa memória quando recordamos o Professor Tibúrcio e o Telekid (“Porque sim não é resposta!“), ambos do Castelo Rá Tim Bum.

Com um vídeo postado no site do Youtube, em 27 de agosto, envia um recado a nós, maranhenses. E eis que sentimos ganhar forças. Em época eleitoral, ter a sabedoria de utilizar a internet para estimular a criticidade e alertar o povo sobre uma luta que não deve cessar, Marcelo demonstra tato e consegue atingir milhares. Era esse o reconhecimento que faltava: enquanto muitos mantém uma visão quase dogmática do Maranhão, com o “eleitor-esteriótipo” que se vende, não questiona, cobra ou reflete,  Tas manda seu apoio aos muitos que lutaram -e lutam- pela modificação e humanização do estado.

Denominar de “Terra do Sarney” é fácil. Difícil é se doar para a democratização. E é isso o que ele tem feito.

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Vídeo de Marcelo Tas – Recado aos Maranhenses:

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Vídeo postado no Blog do Tas e comentado por ele:

“Ok, sei que é uma conversa coloquial, descompromissada, debaixo do sol quente durante a campanha eleitoral que mal se inicia. É um fato menor. Não vai, nem deve, derrubar ninguém. Mas serve para nos confirmar com todas as letras e imagens um sentimento que temos guardados no peito. A política de “coroné” continua a pleno vapor no Brasil. Lula e Cabral interpretam com grande eloquência, mesmo que por alguns minutos, personagens infelizmente ainda muito vivos no Patropi: os dos velhos políticos brasileiros, gentinha rude que só sabe fazer discurso e que vira bicho diante do mínimo sinal de inteligência do outro lado. Se depender deles, Leandro não deve querer jogar tênis nem questioná-los sobre obras de propaganda que vivem fechadas à população.

Viva o YouTube!”

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Tas em entrevista ao Terra Magazine

Isso (a intimidação que a censura ao humor nas eleições trouxe) ainda é uma coisa a ser discutida, então? A paranoia acabou?
É. A paranoia vai começar a se dispersar, eu diria. Não é que acabou. Uma intimidação é algo muito crônico. Quem já sofreu censura, quem já viveu sob a ditadura, sabe disso. Você demora um tempo para cicatrizar aquele jeito estúpido a que você estava limitado. É igual a quando você quebra o braço. Você fica com o braço enfaixado. O que aconteceu agora é que tiraram o gesso, mas você não sai dando soco com o braço que ainda está todo magrinho. É um grande alívio, acho que a gente tem que comemorar, sim. Uma coisa muito importante é que a sociedade perceba que precisa reivindicar. Quando você reivindica, você corre o risco até de ser ouvido.

Você falou de viver sob a ditadura. A sua experiência de agora foi parecida?
Foi pior! Porque eu tenho já uma certa idade, eu participei de cobertura das Diretas Já, por exemplo. Nunca tive sobre a minha cabeça uma multa de R$ 150 mil e alguém que fala assim: “cara, a emissora pode sair do ar se vocês fizerem esse tipo de coisa”. Isso eu nunca vivi quando eu cobri, sei lá, as primeiras eleições. Aquela eleição do Fernando Henrique Cardoso aqui em São Paulo com o Jânio Quadros, que foi uma que eu participei na Record. Ao vivo, inclusive. Entrevistei o Fernando Henrique no café da manhã ao vivo, ele e dona Ruth. Não havia esse tipo de intimidação. É triste dizer isso, mas quem estava no governo era o Figueiredo, eram esses caras. Dessa vez, aparece essa regra que eu tenho absoluta certeza que é do interesse de algumas pessoas que estão no poder como o Sr. Sarney. Esse pessoal que é coronel. Para eles, é interessante manter esse pessoal sob controle, como eles fazem nos seus Estados de origem.

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