Da Coluna do Augusto Nunes.

18 de abril de 2010

Indiferente ao laudo psiquiátrico que recomendou o isolamento de um psicopata perigoso, alheio ao parecer do Ministério Público que contestou o pedido de liberdade condicional, o juiz Luís Carlos Miranda devolveu o direito de ir e vir ao prisioneiro Admar de Jesus, goiano de 40 anos, condenado por violência sexual. Solto em dezembro, o beneficiário da indulgência do doutor matou seis adolescentes em um mês e meio. Um por semana.

“Não me arrependo de nada”, disse o juiz depois de confrontado com as desastrosas consequências do erro. “Não podemos garantir que as pessoas que vamos soltar não irão cometer crimes. O que podemos garantir é que teremos cautela, e isso nós tivemos”. A cautela que matou meia dúzia acaba de liquidar mais um: o próprio Admar de Jesus, encontrado morto na cadeia neste domingo.

Horas antes do epílogo da tragédia, o juiz acrescentara outra sentença ao elogio da soberba: “Eu faria tudo de novo”. Convém perguntar-lhe se mantém o que disse. Em caso positivo, merece ser preso preventivamente por arrogância criminosa, processado por homicídio culposo e alojado na cela que esvaziou.

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http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-doutor-em-arrogancia-ja-tem-sete-mortes-nas-costas/

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